quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A corda e eu

Descrever exatamente o que se passa pode ser um pouco difícil para quem lê; mas para eu, que escrevo, são pequenos pedaços de minha alma em tinta.

Não estou feliz, e é só! Ainda são minúsculos os momentos de nostalgia, aquele sinal de espanto, aquela nova notícia que me faz sair desvairado querendo contar para todos. Poucas são as demonstrações de alegria, mas pior do que uma angústia constate é a falta de esperança. Sei que neste caminho que se chama vida estou completamente perdido, que minhas vontades fogem à razão e que meus sonhos são simplesmente impalpáveis. Então por que continuar vivo?

Meu desencanto vai além, vai de um simples objeto a um ciclo de vícios que envolvem pessoas. Durante muitos anos eu pude controlar isso, por muitas vezes pude fugir ou até inventar uma desculpa esfarrapada. Mas o caminho faz coisas imprevisíveis, te plantam ciladas e todos pagam por aquilo que cometeram.

A minha verdade vai além de desejo, vai dos mais uniformes pensamentos até o sobrenatural. Uma simples vontade tem muitas etapas. Até deixar tudo isso é trabalhoso.

Eu sinto muitas coisas que vão de um simples arranhão a um pedaço da alma. Ontem uma boa parte dela se foi. O engraçado é que o silêncio vai tomando conta até se ouvira apenas o coração, palpitando, pedindo para fugir. Aí eu vou percebendo que já é tarde e tenho de ir dormir.

Vida é instinto, é sobrevivência. O meu está se resumindo a quase nada. Deixo passar um dia após outro, despreocupado, sem vontade de mudança, e no fim, o fardo vai ficando mais pesado e com o tempo mais dificil de lidar.

Nesse caminho eu já fui longe demais, mas desfazer do que foi construído é no mínimo falta de carinho. O tempo vai passando e talvez eu o faça; não tenho mais quinze anos quando experimentava de tudo para saber o que era bom. E há aqueles que ainda dizem que é tudo um jogo, e é possível que eu esteja brincando de palavras, mas acredito que não. Muito do silêncio já passou e a alma é muito inexplicável para descrever apenas com letras. É neste exato momento que eu fecho bem meus olhos, aperto esta caneta e afundo num infinito de suposições:

“A corda sempre existiu, ela somente vai se aproximando. A minha maior história de amor está de pé, e eu não a escuto. Eu acredito no destino e para mim ele é o culpado por isso tudo. Eu me descontrolo com tanta informação, se fosse tão fácil eu entederia. O pior é que apenas uma pessoa pode me ajudar agora”.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Mudo

Queria descrevê-la inteira,
Queria poder revê-la
Eu queria tocar em seus lábios só mais uma vez.

Queria tê-la em meus braços
E me perder no seu espaço
Desvendar na íris dos teus olhos os que nos desfez.

Esse amor que a dor não cura,
Apóia-se de formosura
No momento que te vejo e mudo fico a sofrer.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Estrada

Por fim
Por mais que eu tente dizer
Novamente as palavras são em vão
E jogadas feito cinzas no caixão
Que algumas pessoas lembrarão
Em momentos de choro ou razão.

Posso te dizer adeus
Mas lá na vida tudo corre com paixão
E você pensa que não é bem assim.

Posso te falar de amores
De outras pessoas
De falsas dores
Ou mesmo de qualquer besteira
Só pra te fazer rir

Eu não conheço o ladrão da minha alma
Se vem com flechas ou que atire
Tanto faz, não vou viver pra sempre...
Não vou viver eternamente.

Quando se perder não é rotina
Eu volto e faço um caminho diferente
Só pra tentar enxergar um pouco mais
Do início da estrada.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Amizade


Estaria pronto
Um sonho sincero de amor
E ter
um gesto novo
sorrindo nos cantos de dor

Sumiram os tantos demais
Não é mais ouro
Vem de você em paz

Não mais
O medo do colo
Os braços de um puro coração
Vale
Pensar no que é bom
E não se importar com o bem

Ninguém ficou por perto
Estive certo
Não é perfeição, dói

Aqui
Está seu destino
Seu jeito menino de sofrer
A sorte
Constrói inimigos
E destrói os amigos por você

Estar sozinho no quarto
Mostra o lado
Bom de não ter ninguém.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O dia em que o Sol não brilhou

Meu segredo existe
Atrás de luares
No dia em que o Sol não brilhou
No dia em que você me encontrou
Fazia frio
E eu precisava
Sentir.

Mais dor
Por amor
Porque eu precisava
Sentir.

Se é como o vento
Que nunca volta
Se é como uma harpa
Que nunca toca
Eu preciso
Ouvi-la

Não é o céu que está caindo
Porque para mim ele não existe
Eu olho para cima e vejo
Sentimento.

Eu tento tocá-los
Eu tento pegá-los
Como se fossem flores sem espinho

Mas esqueço que meus olhos
Enganam-me
E deixo
De sentir.

Fubu

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Maldade no Bem

Outras histórias não acabam em trevas
Que o mundo há de saber:
O oculto não é para ser descoberto
A clareza do conhecimento ainda inexiste
Os bons olhos da ignorância persistem
E quem quer fazer o bem não o faz.

Nos dias sem mares e ventos
Existia apenas pensamentos
De anjos caídos que se perderam
Tornaram-se homens sem lei
Que fugiram da face de um rei.

Se a escuridão ainda volta
A mente tomada por revolta
Vai dormir e não se sabe
Se ela fica morta ou pensa em destruir.

Um pedaço do céu ficou claro
E corpos celestes caíram ao chão
Foi no dia que souberam
Que a morte tem irmão
Mesmo sendo inimigo
Dos homens que ainda nascerão.

Fubu

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Mente e Alma

Eu não posso mostrar meu silêncio
Faz muito barulho na alma
Quando dói esconder os meus medos
Mais que estar confortado em meu leito.

Não adienta estar ao seu lado
Se meus olhos não dizem uma frase só
Meus lábios não contam a verdade
Porque todas as vezes mentiram por mim.

Minha mente corrompida
Não pode com minha alma intacta
Ainda que eu escarnecesse
Não cairia em plena escuridão

Posso não merecer esta alma
Que tenta libertar-se deste corpo
Enfurecida com meus erros
Irei me despir de ti
Que tanto quer sua liberdade

É com esta mente
Que me despeço da alma
Exorcizando bons pensamentos
Não crendo que um dia voltarão

Vá sem ter saudade
Desta mente que não aprende
A manter o próprio corpo são.

Fubu

terça-feira, 26 de junho de 2007

À Vida

(esperando alguém terminar para mim)

Não está tão escuro
É sonho imaturo
Esperar amanhecer
O céu não é para todos
Não é para poucos
Que conhecem o viver

Vestir o imaginário
Estar num cenário
Brincando com o coração

O triste é estar cansado
É estar errado
E não reconhecer
Que o tempo está atrasado
E o mundo enganado
Com um simples prazer

Dizer em tão poucos versos
Que viver é certo
Que não é tão bom morrer.

Fubu

sábado, 23 de junho de 2007

Eu sei que a vida
É aberta ferida
Se não encontrar o seu par
É medo e anseio
Sentimento alheio
Que pede ou deixa de amar

Ouça baixinho
Preste atenção
Nada te impede de ter emoção

Deixe que o tempo
Comande o Sol
O seu poente
Nos trás o melhor
Reina a noite
Reina o luar

Eu disfarço o silêncio
Eu aceito o lamento
Eu conduzo o som pra nós dois.

Fubu

Segundo a Ordem

A triste dor de ter perdido aquele grande amigo ou aquele amor
A mão de quem um dia anseia e estende alheia à voz do coração
Olhar pra dentro de um menino, e enxergar o seu destino
Em nada muda, segundo a ordem que desnuda toda essa canção.

O vento que me trouxe ao leito segue seu deleito e me faz chorar
Os versos de uma pequena rima que não sai de cima dança e fico a pensar
Voltar para a primeira estrofe, notar o quanto a gente sofre
Em nada muda, segundo a ordem que desnuda toda essa canção

Escutar uma voz doce
E pensar como se fosse o amanhã
Devagar, vendo o sonho fluir
Olhe o céu como está lindo
O luar inda subindo
Vou ficar, um pouco mais
Vendo a noite fugir.

Deixar pra trás aquele sonho, até terrível pode parecer
Os passos de uma criança enquanto dança mede o seu prazer
Se arrepender de ter trocado, o doce pelo salgado
Segundo a ordem que desnuda tudo agora muda nessa canção.

Fubu