Mesmo que eu não consiga terminar essa poesia, mesmo que eu não consiga definir um título a ela, uma pequena parte dela já me diz algo.
Onde descançam as palavras
Que não vão sentir meus erros
Ilustrados em páginas
Uma vez vermelhas
Ninguém vai apagar
A dor que eu senti
Foi perder a verdade
Que me ligava a você
Foi dizer que a saudade
Escondia o prazer de viver
A solidão que me faz lembrar
Nossos dias em silêncio
Nossos anos a passar
A solidão achou seu lugar
Entre os últimos olhares
Que diziam adeus
Em paz me vou
Com lágrimas a espera
De um coração
Que não possa esquecer
Um dia a dor
Que não possa esquecer
Um grande amor
Não é falar sem ouvir palavras ao vento
Durma em paz, acolha este sofrimento
Num mar de sonhos recortados
Cada peça a juntar ao te encontrar
Últimas lembranças em fotos rasgadas
Pois não há espaço para descobrir
O que nos separou
A mesma cena dos livros jogados
Para escrever um lindo dia que não vai chegar
A esperança que tarda ao raiar
Como contar um dia
Nas noites frias
Com braços que não podem acolher
Um lenço guardado
Com seu retrato
Que não vai parar de sorrir
Enquanto não encontrar
As palavras vermelhas, em sangue
Borradas, em páginas
Que navegam o oceano
Do distante infinito
Do esquecido.
Fubu
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