sábado, 23 de junho de 2007

Contenda com Deus (última parte)

Mas agora se riem de mim os de menos idade do que eu,
E cujos pais eu teria desdenhado
De pôr ao lado cães do meu rebanho.
De que também me serviria
A força das suas mãos,
Homens cujo vigor já percebeu?
De míngua e fome se debilitaram;
Roem os lugares secos, desde muito
Em ruínas e desolados.
Apanham malvas e folhas dos arbustos
E se sustentam de raízes de zimbro.
Do meio dos homens são expulsos;
Grita-se contra eles, como se grita
Atrás de um ladrão;
Habitam nos desfiladeiros sombrios,
Nas cavernas da terra e das rochas.
Bramam entre os arbustos
E se ajuntam debaixo dos espinheiros.
São filhos de doidos, raça infame,
E da terra são escorraçados.
Mas agora sou a sua canção de motejo
E lhes sirvo de provérbio.
Abominam-me, fogem para longe de mim
E não se abstêm de me cuspir no rosto.
Porque Deus afrouxou a corda
Do meu arco e me oprimiu;
Pelo que sacudiram de si o freio
Perante o meu rosto.
À direita se levanta uma súcia,
E me empurra,
E contra mim prepara
O seu caminho de destruição.
Arruínam a minha vereda,
Promovem a minha calamidade;
Gente para quem já não há socorro.
Vêm contra mim
Como por uma grande brecha
E se envolvem avante entre as ruínas.
Sobrevieram-me pavores,
Como pelo vento é varrida a minha honra;
Como nuvem passou a minha felicidade.

Jó (editado por Fubu)

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